BOAS VINDAS

domingo, 21 de agosto de 2011

Exercício de geografia

Exercício áfrica
1)O que é e quantos países fazem parte a CPLP?
R- Comunidade dos Países de Língua Portuguesa o Brasil, Portugal, o Timor Leste Angola, Moçambique, Cabo Verde e São Tomé, Príncipe e Guiné-Bissau.
2)Descreva sobre Macau em relação a língua português.
R-Uma ex-possessão portuguesa na Ásia, na qual o português é um dos idiomas oficiais (com o cantonês) e cuja população nativa em grande parte resultou da miscigenação dos colonizadores portugueses com os chineses. Atualmente, apesar dos nomes de ruas e praças em português, quase ninguém fala ou reconhece esse idioma em Macau, predominando o chinês (cantonês e mandarim), além de uma forte presença do inglês.
3)Descreva os problemas econômicos em Angola e Moçambique.
R- Angola, que se tornou independente de Portugal em 1975, vem produzindo e exportando petróleo há cerca de duas décadas. Contudo, a devido ao processo de combate ao movimento guerrilheiro da Unita (União para a Independência Total de Angola) nos décadas passadas contribuiu para fazer com que a produção agrícola angolana fosse baixíssima, agravando os problemas de fome e subnutrição.
Moçambique vive problemas semelhantes aos de Angola, com a agravante de ter uma economia ainda mais pobre e de não ter petróleo. A situação de penúria e fome nessa ex-colônia portuguesa é enorme, e piorou devido a lutas entre as tropas do governo e as guerrilhas, e também em razão de conflitos internos do próprio governo.
4)Explique porque a África subsaariana é bem mais heterogênea.
R-Apresenta maiores diversidades. Existem ali maiores diferenças econômicas, culturais, étnicas e até mesmo naturais. Há paisagens desérticas, onde as condições de vida são extremamente precárias (em especial na parte norte, no Mali, no Níger, no Chade, embora também no sul, em Botswana e no Zimbábue), mas também existem paisagens tropicais exuberantes, que permitem a agricultura e a pecuária.
5)Relacione a situação econômica na África ocidental.
R- Os países da África ocidental são pouco industrializados, com uma economia baseada na mineração (minério de ferro, bauxita, urânio, fosfato, ouro e diamante, carvão, etc.) e na agricultura de exportação (algodão, amendoim, cacau, café, etc.). Algumas das menores rendas per capita do mundo pertencem a países desse conjunto regional africano, assim como algumas das menores expectativas de vida para a população em geral.
6)Relacione a situação econômica na África central.
R-Esse conjunto regional africano, de fato, é muito pouco industrializado. Todos os países da África central são pobres e possuem uma economia baseada na mineração, com vistas à exportação, e na agropecuária, com agricultura de plantation. Os principais bens de exportação desses países são: algodão, cacau, tabaco, ouro e diamantes, zinco, café, amendoim e madeiras.
6)Relacione a situação econômica na África oriental.
R-A economia dos países da África oriental é pouco desenvolvida. A industrialização desses países é pequena e a renda per capita é baixa. Predomina aí a agricultura de plantation, voltada para a exportação. Cultivam-se café, algodão, chá, banana, etc. Aí também se desenvolve uma atividade mineradora voltada para o mercado externo, com a extração de platina, cobre, manganês, urânio, grafite, etc.
7)Porque a África meridional ou austral é favorecida geograficamente?
R- A África do Sul é o único país africano que possui litoral nesses dois oceanos. Por essa razão e por situar-se no extremo sul da África - ponto de passagem da Europa e da América para o Oriente Médio ou para a Ásia -, esse país tem uma posição geográfica bastante favorável, considerada mesmo estratégica, isto é, de enorme importância militar e econômica. Alguns países da África meridional situam-se em ilhas no oceano Índico: Madagascar, Comores, Maurício e Seychelles.
A importância desses territórios da África austral está em sua extraordinária riqueza mineral.
8)Explique a sobre a segunda atividade econômica mais importante da África.
R-Agricultura de subsistência, desenvolvida pelos nativos nas áreas de floresta e nas savanas, hoje quase tão-somente nas mãos das mulheres.Agricultura permanente, realizada pelos berberes do Marrocos, os felás do Egito e também por povos negros da África Central que empregam técnicas rudimentares de rodízio de terras.Plantation, ou cultivo de produtos tropicais em grandes áreas, voltada para a exportação.
9)Descrevas os vários problemas decorrentes nas atividades econômicas da África.
R- As guerras e a contaminação de milhões de pessoas pelo vírus HIV são problemas que comprometem ainda mais a produção agrícola africana. Todos os principais produtos agrícolas têm apresentado expressiva queda de preços no mercado internacional, comprometendo ainda mais a economia continental. O nível de industrialização da África é o menor do mundo.
10)Escreva sobre as três unidades distintas do ponto de vista geográfico da África Branca.
R- O Magreb, área de clima mediterrâneo, com maior ocorrência de chuvas por influência da cadeia do Atlas (chuvas orográficas). Além de úmidas, suas terras são férteis. Engloba o Marrocos, a Tunísia e parte da Argélia. O vale do Nilo, que se alonga pelo Sudão e pelo Egito, caracterizado por intenso aproveitamento agrícola, em contraste com o deserto que atravessa. O Saara, grande deserto que domina o restante da região. No sul da Líbia, da Argélia e sobretudo da Mauritânia aparecem povos negros, assinalando a transição da África Branca para a África Negra.
Para entender como é possível haver, num mesmo continente, formações tão diferentes como desertos, florestas equatoriais e montanhas cobertas de neve, precisamos, antes de mais nada, conhecer as variações climáticas responsáveis por tais contrastes.
11)Diante desta afirmação descreva os diversos climas e vegetação no continente africano.
R- Clima equatorial: Ocorre na parte central e oeste da faixa equatorial. A temperatura média anual ultrapassa 25° C, com uma variação bem pequena entre o mês mais quente e o mês mais frio. As chuvas são abundantes e geralmente bem distribuídas durante o ano. A vegetação característica das regiões de clima quente e úmido são as florestas pluviais. Na zona do equador elas são chamadas de florestas equatoriais.
Clima tropical: A savana é uma vegetação típica da África. Domina as extensas regiões de clima tropical com uma estação chuvosa e outra seca. A vegetação típica do clima tropical úmido são as florestas tropicais, semelhantes às equatoriais, porém menos ricas e formadas por árvores de menor porte.
Nas áreas em que o clima apresenta uma estação chuvosa e outra seca, a vegetação é formada por campos, com arbustos e árvores esparsas, como os baobás. São as savanas, que cobrem grandes extensões africanas, servindo de hábitat a animais de grande porte.
O clima mediterrâneo domina basicamente a região conhecida como Magreb, que significa "ilha do poente", da qual fazem parte o Marrocos, a Argélia e a Tunísia. Esse clima estende-se pela faixa litorânea da Líbia e do Egito, onde o quadro natural passa por expressiva modificação: o ambiente torna-se semi-árido, com a vegetação formada por plantas arbustivas e espinhosas.
Climas áridos: Os climas áridos ou desérticos apresentam duas características essenciais: escassez e irregularidade de chuvas e grande variação diária de temperatura. E, devido à falta de umidade do ar, os dias são muito quentes e as noites, frias.
As formações vegetais das regiões áridas acabaram se adaptando à escassez de água. Nos desertos, as plantas apresentam espinhos em lugar de folhas para diminuir a transpiração. Os caules são cobertos por uma camada de cera, que impede a evaporação, e as raízes são longas, facilitando a busca de água subterrânea.
12)Defina a posição geográfica do Saara.
R-tuado no norte da África, o Saara estende-se do oceano Atlântico ao mar Vermelho, passando por diversos países. Maior deserto do mundo, tem uma área de aproximadamente 9 milhões de quilômetros quadrados, superando o Brasil em tamanho.
12)Defina a posição geográfica do Kalahari.
R- Localizado no sudoeste africano, o deserto de Kalahari tem cerca de 600 mil quilômetros quadrados e atinge principalmente os territórios de Botsuana e da Namíbia.
13)Em relação ao IDH dos países africanos defina os maiores problemas sociais.
R-40% da população africana não sabe ler nem escrever, os índices de desemprego são alarmantes; a fome e a desnutrição fazem da taxa de mortalidade africana a mais alta do mundo (14 ); e a deterioração da saúde alcança níveis assustadores: 71% dos HIV positivos do mundo vivem hoje na África, A África tem o menor número de médicos per capita e a menor expectativa de vida do planeta, A taxa de mortalidade infantil é muito alta, Rivalidades tribais, políticas e nacionais se entrecruzam para criar um cenário explosivo, A África possui as regiões com os mais altos níveis de concentração de renda, principalmente nas nações de tradição monárquica. A renda per capita na África Subsaariana vem caindo a cada ano.

domingo, 7 de agosto de 2011

África

A África de língua portuguesa
No continente africano, a língua portuguesa é o idioma oficial em Angola, Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. É igualmente falada em Guiné-Bissau, onde, porém, o crioulo é o idioma oficial. Esses países, assim como o Brasil, Portugal e o Timor Leste (localizado no Sudeste Asiático), participam da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), fundada em 1996 com o objetivo de preservar e expandir o idioma português no mundo.
Atualmente, a língua portuguesa, com cerca de 185 milhões de falantes, é o oitavo idioma mais falado no mundo, vindo depois do mandarim, inglês, hindi, espanhol, russo, árabe e bengali. Pode parecer uma posição modesta, mas devemos lembrar que existem cerca de 7 a 8 mil idiomas no mundo e o português está na frente, em número de falantes, de idiomas importantíssimos como o japonês, o francês, o alemão, o italiano e outros. Só que estes idiomas têm muitas vezes uma maior divulgação que o português - quantidade de livros, jornais, filmes, páginas na Internet, programas de televisão, escolas espalhadas pelo mundo, etc. -, devido ao grande desenvolvimento econômico do país de origem (Japão, Alemanha, França, Itália) e também pela preocupação que estes países possuem em divulgar e expandir sua língua, o que não ocorre com Portugal e muito menos com o Brasil. Mas, quem sabe, a criação dessa Comunidade, a CPLP, seja o início de uma política voltada para a valorização do idioma português.
Afinal, a língua portuguesa sofreu grandes perdas, especialmente no século XX, devido à fragilidade econômica do seu país de origem, Portugal. Tomemos como exemplo disso Macau, uma ex-possessão portuguesa na Ásia, na qual o português é um dos idiomas oficiais (com o cantonês) e cuja população nativa em grande parte resultou da miscigenação dos colonizadores portugueses com os chineses. Atualmente, apesar dos nomes de ruas e praças em português, quase ninguém fala ou reconhece esse idioma em Macau, predominando o chinês (cantonês e mandarim), além de uma forte presença do inglês. Parece que o mesmo vem ocorrendo no Timor Leste e em Moçambique, embora num estágio menos avançado. O português ainda é o único idioma oficial de Moçambique, principalmente devido ao fato de existirem várias línguas africanas mas nenhuma delas ser falada pela maioria da população. Mas, devido à extrema pobreza do país e à carência de escolas, quase não há o ensino do idioma português, que pode acabar sendo esquecido ou abandonado com o tempo. Enquanto isso, alguns países mais ricos (a vizinha África do Sul e, principalmente, o Reino Unido e os Estados Unidos) investem na construção de escolas ou cursos que ensinam o inglês, que começa a se tornar uma língua cada vez mais falada em Moçambique, inclusive nas rádios e nos programas de televisão.
Mas a África ex-portuguesa enfrenta inúmeros problemas econômicos e políticos. Angola, que se tornou independente de Portugal em 1975, vem produzindo e exportando petróleo há cerca de duas décadas. Contudo, a necessidade de combater o movimento guerrilheiro da Unita (União para a Independência Total de Angola) tem contribuído para fazer com que a produção agrícola angolana seja baixíssima, agravando os problemas de fome e subnutrição. Desde 1990 vêm ocorrendo mudanças em Angola, com a legalização de novos partidos e a assinatura de uma trégua entre o governo e a Unita. Apesar disso, a instabilidade política, agravada pelo acirramento de conflitos étnicos, e a penúria econômica da população continuam caracterizando o país no início do século XXI.
Moçambique vive problemas semelhantes aos de Angola, com a agravante de ter uma economia ainda mais pobre e de não ter petróleo. A situação de penúria e fome nessa ex-colônia portuguesa é enorme, e piorou devido a lutas entre as tropas do governo e as guerrilhas, e também em razão de conflitos internos do próprio governo. Por isso, calcula-se que sua produção agrícola hoje atinja somente cerca de 50% do que era produzido na época em que se tornou independente (1975).
No início do século XXI Moçambique deve contar com a ajuda da ONU para realizar eleições sérias (sem fraudes e corrupção) e reunir os diversos grupos políticos e étnicos que disputam o poder num governo de união com vistas a desenvolver o país.
A África Negra ou subsaariana
Abrangendo a maior parte do continente e também de sua população, a África Negra ou subsaariana é constituída por 44 Estados independentes. É a "verdadeira África", nos dizeres de alguns especialistas. É a África dos povos negróides, dos Estados construídos artificialmente (ou seja, onde normalmente existem várias etnias num mesmo território nacional, cada uma com um idioma e uma cultura específicos, sem haver uma verdadeira nação).
Comparada à parte norte do continente, a África subsaariana é bem mais heterogênea, isto é, apresenta maiores diversidades. Existem ali maiores diferenças econômicas, culturais, étnicas e até mesmo naturais. Há paisagens desérticas, onde as condições de vida são extremamente precárias (em especial na parte norte, no Mali, no Níger, no Chade, embora também no sul, em Botswana e no Zimbábue), mas também existem paisagens tropicais exuberantes, que permitem a agricultura e a pecuária.
A África Negra pode ser dividida em quatro sub-regiões: África ocidental, África central, África oriental e África meridional ou austral.

A África ocidental - [Mauritânia, Mali, Senegal, Guiné-Bissau, Guiné, Serra Leoa, Libéria, Costa do Marfim, Gana, Togo, Benin, Burkina Fasso, Níger, Gâmbia, Nigéria e Cabo Verde]
Situados ao redor do golfo da Guiné, a oeste, e tendo o deserto do Saara ao norte e a leste, os países da África ocidental apresentam uma grande diversidade de paisagens.
O rio Níger e seus afluentes atravessam essa região, numa área de clima equatorial. Mais para o norte o clima vai se tornando seco, desértico. A maioria da população concentra-se ao longo do litoral e, principalmente, junto à foz do rio Níger, o mais importante dessa região.
Os países da África ocidental são pouco industrializados, com uma economia baseada na mineração (minério de ferro, bauxita, urânio, fosfato, ouro e diamante, carvão, etc.) e na agricultura de exportação (algodão, amendoim, cacau, café, etc.). Algumas das menores rendas per capita do mundo pertencem a países desse conjunto regional africano, assim como algumas das menores expectativas de vida para a população em geral.
África central - [Chade, Camarões, Guiné Equatorial, Gabão, Congo, República Centro-Africana, São Tomé e Príncipe e República Democrática do Congo]
Os oito países que compõem a África central localizam-se na bacia do rio Congo, na parte centro-ocidental do continente. A única exceção é São Tomé e Príncipe, país constituído por duas ilhas que ficam no Atlântico, próximo ao golfo da Guiné.
O clima dessa região é equatorial, quente e úmido, tornando-se mais seco, tipicamente tropical, para o sul. A maioria da população concentra-se próximo ao litoral ou na bacia do Congo.
Esse conjunto regional africano, de fato, é muito pouco industrializado. Todos os países da África central são pobres e possuem uma economia baseada na mineração, com vistas à exportação, e na agropecuária, com agricultura de plantation. Os principais bens de exportação desses países são: algodão, cacau, tabaco, ouro e diamantes, zinco, café, amendoim e madeiras.
África oriental - [Djibuti, Somália, Uganda, Quênia, Ruanda, Burundi e Tanzânia]
Localiza-se na porção centro-oriental do continente, cortada pelo equador no centro e limitada a leste pelo oceano Índico. De forma geral, essa é a região de terras mais elevadas da África, onde se alternam montanhas, planaltos e depressões que dão origem a lagos. O nordeste do continente, no local onde se encontra a Somália, tem a forma de um chifre. Por isso, essa região é conhecida como "Chifre da África".
A economia dos países da África oriental é pouco desenvolvida. A industrialização desses países é pequena e a renda per capita é baixa. Predomina aí a agricultura de plantation, voltada para a exportação. Cultivam-se café, algodão, chá, banana, etc. Aí também se desenvolve uma atividade mineradora voltada para o mercado externo, com a extração de platina, cobre, manganês, urânio, grafite, etc.
África meridional ou austral - [Angola, Zâmbia, Malavi, Zimbábue, Moçambique, Botswana, Lesoto, Suazilândia, África do Sul, Namíbia, Ilhas Comores, Maurício, Seychelles e Madagascar]
Localiza-se na parte mais afunilada da África, entre os oceanos Atlântico (a oeste) e Índico (a leste).
A África do Sul é o único país africano que possui litoral nesses dois oceanos. Por essa razão e por situar-se no extremo sul da África - ponto de passagem da Europa e da América para o Oriente Médio ou para a Ásia -, esse país tem uma posição geográfica bastante favorável, considerada mesmo estratégica, isto é, de enorme importância militar e econômica. Alguns países da África meridional situam-se em ilhas no oceano Índico: Madagascar, Comores, Maurício e Seychelles.
A importância desses territórios da África austral está em sua extraordinária riqueza mineral.
África - atividades econômicas
A mineração é a principal atividade econômica africana. Além de ouro e diamante, o continente africano possui também outras riquezas em seu subsolo, como petróleo, gás natural, urânio, bauxita, cobre e manganês. Num continente que tem 66 bilhões de barris de petróleo ao sul do Saara e inúmeras jazidas de gás natural, 90% da energia utilizada provém da lenha. Apenas 30% da produção petrolífera africana se destina ao mercado interno; todo o restante é exportado.
A segunda atividade econômica mais importante da África é a agricultura, praticada de três formas:
• Agricultura de subsistência, desenvolvida pelos nativos nas áreas de floresta e nas savanas, hoje quase tão-somente nas mãos das mulheres.
• Agricultura permanente, realizada pelos berberes do Marrocos, os felás do Egito e também por povos negros da África Central que empregam técnicas rudimentares de rodízio de terras.
• Plantation, ou cultivo de produtos tropicais em grandes áreas, voltada para a exportação.
O continente africano participa do comércio mundial como exportador de produtos de baixa intensidade tecnológica, ou seja, produtos primários ou semimanufaturados, como alguns alimentos, bebidas e minérios beneficiados.
Dentre os produtos agrícolas, a África exporta principalmente café, cacau, borracha, cana-de-açúcar, algodão, amendoim e azeite-de-dendê. Todos eles têm apresentado expressiva queda de preços no mercado internacional, comprometendo ainda mais a economia continental.
As guerras e a contaminação de milhões de pessoas pelo vírus HIV são problemas que comprometem ainda mais a produção agrícola africana. Em 2000, cerca de 200 milhões de africanos, ou seja, quase um terço da população, passavam fome e cerca de 31 milhões de crianças com menos de cinco anos de idade sofriam de desnutrição.
Em prol dos cultivos de exportação, que em função da queda de preços precisam ser vendidos em maior quantidade, a agricultura de subsistência está sendo praticada em áreas periféricas e menos produtivas. Esse processo fez com que, desde 1980, a África deixasse de ser exportadora para se transformar em importadora de alimentos. Hoje o continente possui o setor agrícola menos produtivo do planeta.
A pecuária é pouco praticada nas áreas equatoriais e tropicais; porém, na porção norte do continente, Egito, Líbia, Argélia, Marrocos e Tunísia são centros que se dedicam à criação de camelos, ovinos e caprinos, animais pouco exigentes quanto ao consumo de água.
A importância da agropecuária para a economia do continente e para a sobrevivência de seus habitantes explica por que a população africana continua sendo predominantemente rural. Apenas um terço vive em cidades com mais de 20 mil habitantes.
O nível de industrialização da África é o menor do mundo. No norte e no sul do continente, porém, existem algumas indústrias desenvolvidas, como a petrolífera, a têxtil, a alimentícia e a siderúrgica, no Egito; de óleos vegetais e máquinas agrícolas, na Argélia; de energia e alimentícia, no Zimbábue; química, metalúrgica, siderúrgica, têxtil, de papel, de máquinas industriais e equipamentos de transporte, na África do Sul. Este último país, sozinho, é responsável por quase 50% da produção industrial africana.
O turismo é uma das atividades que mais crescem no continente, empregando expressivas parcelas da população das cidades e mesmo das áreas rurais. O país africano que mais se destaca como pólo turístico é a África do Sul, onde as extensas paisagens, ricas em exemplares da fauna e da vegetação, atraem milhares de visitantes interessados nos safáris.
Com o fim da política de discriminação racial no país (o apartheid), o investimento no setor turístico aumentou para atender às exigências dos visitantes.
África do Norte ou a África Branca
A África do Norte ou África Branca é marcada pelo predomínio da população árabe que chegou ao norte do continente durante o processo de expansão do islamismo. No decorrer do século VII, movidos pelo ideal de difundir a fé muçulmana, os árabes conquistaram o norte da África, além do sul da Europa, particularmente a península Ibérica. O domínio árabe acabou se impondo aos primitivos grupos étnicos que habitavam a região, de cuja mistura resultaram os atuais habitantes do território.
Fazem parte da África Branca: Egito, Sudão, Líbia, Marrocos, Argélia, Tunísia, Mauritânia e Saara Ocidental.
A África Branca compreende três unidades distintas do ponto de vista geográfico:
• O Magreb, área de clima mediterrâneo, com maior ocorrência de chuvas por influência da cadeia do Atlas (chuvas orográficas). Além de úmidas, suas terras são férteis. Engloba o Marrocos, a Tunísia e parte da Argélia.
• O vale do Nilo, que se alonga pelo Sudão e pelo Egito, caracterizado por intenso aproveitamento agrícola, em contraste com o deserto que atravessa.
• O Saara, grande deserto que domina o restante da região. No sul da Líbia, da Argélia e sobretudo da Mauritânia aparecem povos negros, assinalando a transição da África Branca para a África Negra.
A significativa diferenciação socioeconômica existente na África do Norte pode ser comprovada pelos índices da tabela a seguir.










ÁFRICA DO NORTE: PRINCIPAIS INDICADORES SOCIOECÔNOMICOS
Países População
absoluta (milhões de habitantes) Renda per capita
(em dólares) IDH Expectativas de vida
(em anos) Taxa de
analfabetismo (%)
Argélia 30,5 1 550 0,693 47,9 37
Egito 62,4 1 380 0,635 68 45
Líbia 5,4 entre 2 966
e 9 265 0,770 71 20
Marrocos 28,2 1 190 0,596 68 51
Mauritânia 2,6 390 0,437 53 60
Sudão 28,9 330 0,439 57 43
Tunísia 9,5 2 090 0,714 70 29
Fonte: BANCO MUNDIAL. Relatório sobre o desenvolvimento mundial 2000-2001: luta contra a pobreza.
A economia do Sudão e da Mauritânia é essencialmente agrícola. No Sudão, a agropecuária responde por 40% da riqueza nacional, empregando a grande maioria da população economicamente ativa do país. Os principais cultivos comerciais são de cana-de-açúcar e de algodão, além da pecuária de bovinos e ovinos. Atividade industrial é restrita ao setor alimentício e têxtil.
A Mauritânia, ao contrário, beneficia-se da exploração mineral, em especial do ferro, que é responsável por 15% do PIB. Mas, como no Sudão, a agropecuária participa com a maior porcentagem da riqueza nacional (25% do PIB), depois do setor de serviços. Os principais cultivos são de arroz e sorgo, com destaque também para a criação de carneiros e de aves domésticas.
O padrão de vida na Líbia é um dos melhores do continente, o país apresenta o melhor IDH e uma expressiva renda per capita, comparável à de países com médio desenvolvimento humano. As consideráveis divisas obtidas com a exploração de petróleo explicam a elevada renda per capita, que, contudo, fica concentrada nas mãos de uma pequena parcela da população. A desigualdade tem-se mantido pela atuação de uma ditadura militar no poder desde 1969. A exploração mineral tem uma participação de 35% na renda nacional. A Líbia tem um dos setores industriais mais desenvolvidos (44% do PIB); há indústrias dos ramos químico e petroquímico, de material de construção, têxtil e alimentício.
Clima e vegetação do continente africano
No continente africano há grande diversidade de tipos climáticos, que condicionam formações vegetais também variadas, como as florestas tropicais, as savanas e as xerófitas, próprias das regiões mais áridas, A África abriga ainda o maior deserto do mundo, o Saara, ao norte do continente, além do deserto de Kalahari, ao sul, e o da Namíbia, na porção sudoeste.
Para entender como é possível haver, num mesmo continente, formações tão diferentes como desertos, florestas equatoriais e montanhas cobertas de neve, precisamos, antes de mais nada, conhecer as variações climáticas responsáveis por tais contrastes.
No continente africano, cujo território é cortado pela linha do equador e pelos dois trópicos, predominam os climas quentes, que são classificados em clima equatorial e clima tropical, com as variações tropical úmido, tropical semi-úmido e tropical de altitude.
Há ainda o clima mediterrâneo e grandes extensões de climas áridos.
Clima equatorial: Ocorre na parte central e oeste da faixa equatorial. A temperatura média anual ultrapassa 25° C, com uma variação bem pequena entre o mês mais quente e o mês mais frio. As chuvas são abundantes e geralmente bem distribuídas durante o ano. Os índices pluviométricos anuais ficam entre 2 000 e 2 500 milímetros.
A vegetação característica das regiões de clima quente e úmido são as florestas pluviais. Na zona do equador elas são chamadas de florestas equatoriais. Na África central, a floresta do Congo representa bem esse tipo de formação vegetal.
Clima tropical: A savana é uma vegetação típica da África. Domina as extensas regiões de clima tropical com uma estação chuvosa e outra seca.
Apresenta temperaturas médias mensais entre 18° C e 25° C e maior amplitude térmica anual em relação ao clima equatorial. No interior do continente africano, o clima é tropical semi-úmido, pois apresenta duas estações bem definidas: verão acentuado e chuvoso e inverno moderado e relativamente seco. Já nos litorais, penínsulas, ilhas e em latitudes próximas aos trópicos, o clima é tropical úmido, menos quente que o clima equatorial, mas também com chuvas bem distribuídas ao longo do ano.
Nos planaltos, o clima é tropical de altitude, isto é, menos quente, pois a temperatura diminui em média 1° C a cada 180 metros de altitude.
A vegetação típica do clima tropical úmido são as florestas tropicais, semelhantes às equatoriais, porém menos ricas e formadas por árvores de menor porte. Nas áreas em que o clima apresenta uma estação chuvosa e outra seca, a vegetação é formada por campos, com arbustos e árvores esparsas, como os baobás. São as savanas, que cobrem grandes extensões africanas, servindo de hábitat a animais de grande porte, como elefantes, gnus, girafas e leões.
Clima mediterrâneo: No extremo norte da África, o clima é subtropical do tipo mediterrâneo, com duas estações bem definidas: seca no verão e chuvosa no inverno.
O clima mediterrâneo domina basicamente a região conhecida como Magreb, que significa "ilha do poente", da qual fazem parte o Marrocos, a Argélia e a Tunísia. Esse clima estende-se pela faixa litorânea da Líbia e do Egito, onde o quadro natural passa por expressiva modificação: o ambiente torna-se semi-árido, com a vegetação formada por plantas arbustivas e espinhosas. Esse tipo de vegetação é conhecido como garrigue.
Climas áridos: Os climas áridos ou desérticos apresentam duas características essenciais: escassez e irregularidade de chuvas e grande variação diária de temperatura.
Nas regiões áridas africanas, em geral os índices pluviométricos não chegam a 300 milímetros por ano, caracterizando assim o clima árido ou desértico propriamente dito. E, devido à falta de umidade do ar, os dias são muito quentes e as noites, frias.
As formações vegetais das regiões áridas acabaram se adaptando à escassez de água. Nos desertos, as plantas apresentam espinhos em lugar de folhas para diminuir a transpiração. Os caules são cobertos por uma camada de cera, que impede a evaporação, e as raízes são longas, facilitando a busca de água subterrânea. Por essa razão, as plantas do deserto são chamadas de xeromorfas - possuem formas adaptadas à falta de água.
À medida que nos afastamos dos desertos, as chuvas tornam-se menos escassas, chegando a 500 milímetros por ano. Nessa área ficam os semidesertos ou regiões semi-áridas. No sul do Saara, a região semi-árida é conhecida como sahel, "zona da margem do deserto", uma extensa faixa de transição entre o deserto e a zona tropical. As estepes dominam essa paisagem, com uma vegetação rasteira formada por ervas baixas e gramíneas dispersas.
Os desertos africanos
Cerca de um terço das terras africanas é constituído por regiões áridas, localizadas principalmente no norte - o Saara - e no sudoeste do continente - o Kalahari.
Saara. Situado no norte da África, o Saara estende-se do oceano Atlântico ao mar Vermelho, passando por diversos países. Maior deserto do mundo, tem uma área de aproximadamente 9 milhões de quilômetros quadrados, superando o Brasil em tamanho.
Em grande parte, o Saara é um enorme depósito de areia e pedras, cujo subsolo é rico em ferro, petróleo, gás natural e fosfato. Essa riqueza favorece a exploração mineral, cuja prática está modificando bastante as paisagens do deserto. Atualmente existem muitas rodovias, refinarias e oleodutos no Saara. Nas rodovias encontram-se modernos automóveis ao lado de nômades com seus camelos e suas tendas.
O quadro natural do Saara é bem diversificado: há lugares cobertos de pedras e areia; há outros, planos e elevados, que compõem planaltos rochosos; existem também extensas áreas cobertas de dunas; e, finalmente, uma faixa montanhosa que integra a cadeia do Atlas. Em cada área há formas próprias de vida animal e vegetal.
As temperaturas diurnas do Saara chegam a atingir 80º C na cobertura de areia exposta ao sol. Em compensação, no inverno ocorrem geadas durante a madrugada, e a água acumulada chega a congelar nas áreas montanhosas e nos ergs (dunas) mais altos.
A contínua expansão do domínio saariano preocupa os estudiosos, que apontam dois fatores como responsáveis por essa alteração: o primeiro, de ordem natural, é o registro de ocorrências de acentuada aridificação; o segundo diz respeito à degradação ambiental provocada pela ação humana.
Kalahari. Localizado no sudoeste africano, o deserto de Kalahari tem cerca de 600 mil quilômetros quadrados e atinge principalmente os territórios de Botsuana e da Namíbia.
A formação do Kalahari, que, com o deserto da Namíbia - situado paralelamente à faixa litorânea -, constitui um só conjunto, é atribuída à influência da corrente de Benguela. Essa corrente fria faz com que os ventos úmidos, vindos do oeste, percam sua umidade antes de atingir a costa. Assim, quando se aproximam do continente, os ventos estão quase secos, a principal causa da aridez da região.
O solo do Kalahari é pedregoso, e o subsolo, rico em minérios, como urânio, chumbo, cobre e, principalmente, diamante.
Os oásis são "ilhas" de povoamento que se formam junto a uma fonte natural de água em pleno deserto. O líquido mais precioso das regiões áridas aflui à superfície a partir dos lençóis freáticos originados da água das chuvas que penetrou nas camadas rochosas permeáveis, acumulando-se ao encontrar uma camada impermeável.
Como nos oásis é possível desenvolver a agricultura, a sedentarização das pessoas acabou ocorrendo espontaneamente. A terra, irrigada pelas foggaras, possibilita o cultivo de tamareiras, oliveiras, diferentes tipos de frutas, hortaliças e cereais.


Os indicadores de pobreza do continente africano
Neste início do terceiro milênio, 40% da população africana não sabe ler nem escrever, os índices de desemprego são alarmantes; a fome e a desnutrição fazem da taxa de mortalidade africana a mais alta do mundo (14 ); e a deterioração da saúde alcança níveis assustadores: 71% dos HIV positivos do mundo vivem hoje na África. De cada três pessoas infectadas pelo vírus HIV no planeta, duas vivem na áfrica. A África Subsaariana é a região do mundo mais atingida pela Aids com cerca de 25 milhões de infectados.
Veja outros dados que revelam o triste quadro social do continente africano:
• A África tem o menor número de médicos per capita e a menor expectativa de vida do planeta: no início da década de 1990 era de 59 anos, mas em 2005 não chegará a 45 anos de idade. A média é de 48 anos na Guiné, 45 anos em Angola, 39 anos em Serra Leoa. Os índices mais elevados pertencem aos países da África Branca: na Argélia, os homens chegam aos 69 anos e as mulheres, aos 72 anos; no Marrocos, os homens vivem aproximadamente 67 anos e as mulheres, 70.
• A taxa de mortalidade infantil é muito alta, chegando em média a 83 mortes a cada mil nascimentos. Estima-se que 20% das crianças africanas morrem antes do quinto ano de vida.
• Rivalidades tribais, políticas e nacionais se entrecruzam para criar um cenário explosivo, responsável por inúmeras mortes no continente.
• Mais de 25% dos africanos vivem em situação de miséria absoluta, e as perspectivas não são nada animadoras: neste início do século XXI mais de 50% continuarão nas mesmas condições.
• A renda per capita na África Subsaariana caiu de 750 dólares em 1980 para 700 dólares em 1998.
• A África possui as regiões com os mais altos níveis de concentração de renda, principalmente nas nações de tradição monárquica.
Apesar de não ser o principal fator a explicar a miséria que assola o continente, um dos sérios problemas que agravam a situação é a alta taxa de crescimento da população: a maior do planeta, estimada em 2,3% ao ano entre 1995 e 2000.
Alguns países africanos apresentam taxas de natalidade que estão entre as maiores do mundo, como a Etiópia, com 53 nascimentos por ano a cada mil habitantes, seguida de Angola e Uganda, com 51. Em Uganda as mulheres têm em média sete filhos ao longo da vida, enquanto nos países europeus a taxa de fecundidade fica abaixo de dois filhos por mulher.
Regionalização do continente africano
A África, um imenso continente onde vivem atualmente cerca de 780 milhões de pessoas e onde existem 53 países independentes, apresenta grande diversidade étnica, cultural e política. Comparado com outros (do ponto de vista da economia), o continente africano é o mais pobre de todos. Apesar de existirem alguns poucos países com um padrão de vida razoável (comparável, no máximo, ao Brasil ou à Bulgária), não existe aí nenhum país realmente desenvolvido ou que tenha superado alguns problemas sociais básicos, como alimentação, moradia, educação, etc.
O país mais industrializado do continente e também o mais rico em recursos minerais é a África do Sul. Esse país possui também imensos problemas de pobreza absoluta, porque tem uma péssima distribuição social da renda: a minoria branca (17% do total) fica com aproximadamente 75% do total da renda nacional, enquanto a maioria negra (70% do total) fica com menos de 20%. E aos 13% restantes, constituídos por mestiços e asiáticos, cabem 5%.
Dessa forma, a maioria da população africana vive em situação de extrema pobreza. Apesar disso, os países africanos são muito diferentes uns dos outros, o que explica as dificuldades de se regionalizar esse continente. Existem diferenças tanto nos aspectos naturais quanto nos sociais. No tocante à natureza, existem na África países situados quase totalmente em paisagens desérticas (Líbia, Egito, Argélia, Sudão, etc.), e outros em paisagens tropicais variadas (Nigéria, África do Sul, Angola, Zâmbia, etc.). Quanto às diferenças sociais e culturais, existem povos islâmicos, em especial no norte do continente, e povos com religiões animistas, além de minorias cristãs.
Costuma-se regionalizar o continente africano de duas formas principais: a partir da localização de cada região geográfica ou a partir de traços étnicos e culturais. Vamos comparar essas duas maneiras de dividir a África.
A primeira regionalização, mais tradicional, valoriza a localização de cada conjunto de países e divide a África em cinco conjuntos:
• África setentrional ou do Norte, que compreende os seguintes Estados: Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Egito, Sudão, Eritréia e Etiópia. Como o próprio nome diz, essa região africana localiza-se ao norte do continente, próxima aos mares Vermelho e Mediterrâneo.
• África ocidental, localizada nas vizinhanças com o oceano Atlântico, que abrange os seguintes países independentes: Mauritânia, Mali, Senegal, Guiné-Bissau, Guiné, Serra Leoa, Libéria, Costa do Marfim, Gana, Togo, Benin, Burkina Fasso, Níger, Gâmbia, Nigéria e Cabo Verde. Pode-se incluir também nesse conjunto o território do Saara Ocidental, atualmente sob o domínio do Marrocos.
• África central, que fica no centro do continente e compreende os seguintes Estados-nações: Chade, Camarões, Guiné Equatorial, Gabão, Congo, República Centro-Africana, São Tomé e Príncipe e República Democrática do Congo.
• África oriental, que fica nas proximidades do oceano Índico e abrange Djibuti, Somália, Uganda, Quênia, Ruanda, Burundi e Tanzânia.
• África meridional ou austral, que como o nome diz fica na parte sul (meridional) do continente e compreende os seguintes países: Angola, Zâmbia, Malavi, Zimbábue (antiga Rodésia), Moçambique, Botswana, Lesoto, Suazilândia, África do Sul, Namíbia, ilhas Comores, Maurício, Seychelles e Madagascar.
A segunda regionalização do continente africano, cada vez mais utilizada na atualidade, parte de critérios étnicos e culturais (religião e etnias predominantes em cada região) e assinala a existência de dois grandes conjuntos regionais:
• África Branca ou setentrional, constituída pelos oito Estados que se localizam na África do Norte ou setentrional mais a Mauritânia e o Saara Ocidental. Ela compreende, portanto, nove Estados-nações e um território.
• África Negra ou subsaariana, formada pelos outros 44 países do continente.
Vamos partir desta última regionalização, que divide a África em dois conjuntos principais. Isso porque aquela primeira classificação ou divisão do continente é meramente descritiva e agrupa os países por sua localização, sem levar em conta suas culturas, etnias, economias, condições de vida, etc.
Todavia, é importante assinalar que essa divisão em duas Áfricas - a setentrional e a subsaariana - é relativa, pois existem alguns pequenos problemas a considerar. O primeiro deles é que na realidade não existe uma África exclusivamente branca nem uma outra exclusivamente negra. Mas no norte do continente de fato predominam as raças caucasóides (de cor de pele mais clara e cabelos lisos ou ondulados), principalmente os povos árabes, embora existam aí fortes minorias de raças negróides (de cor de pele escura e cabelos crespos).
Na África subsaariana, que abrange cerca de 67% da área total do continente, de fato predominam os povos de raça negróide, embora existam, especialmente na África do Sul, fortes minorias de caucasianos (os descendentes dos europeus colonizadores) e também de asiáticos, principalmente indianos e chineses, que migraram para esse continente no século XX.
Também no tocante à cultura essa diferença é relativa. Os povos islâmicos predominam no norte do continente, na chamada África Branca, mas eles também existem - e vêm até se expandindo - no restante do continente. Também no norte da África ainda existem alguns grupos minoritários que recusam o islamismo e permanecem com suas culturas e religiões tradicionais. Em contrapartida, na África subsaariana, embora predominem as culturas negro-africanas, existem alguns povos com religiões diferentes: islâmicos, principalmente, e também católicos, protestantes, budistas, etc.
Relevo e hidrografia do continente africano
A África, o terceiro maior continente em extensão, ocupa uma área de 30 272 922 km2. Cerca de 75% de seu território está localizado na faixa intertropical do globo, ou seja, entre o trópico de Câncer, ao norte, e o trópico de Capricórnio, ao sul. Essa característica faz com que seja o continente mais tropical do mundo, apresentando temperaturas muito elevadas. O continente africano é cortado pela linha do equador em sua parte central, ficando com terras igualmente distribuídas pelos hemisférios norte e sul.
O território africano representa cerca de 20,3% das terras emersas do planeta. É banhado ao norte pelo mar Mediterrâneo, ao sul pela junção dos oceanos Índico e Atlântico, a leste pelo mar Vermelho e o oceano Índico e a oeste pelo Atlântico.
No continente africano as formas de relevo são relativamente homogêneas. Podemos dizer que o continente é um grande planalto, formado em sua maior parte por rochas antigas, com altitude média de 700 metros.
O continente pode ser dividido em duas porções: a norte-ocidental, de formas mais baixas, e a sul-oriental, de topografia mais elevada.
Elevações importantes da África são o planalto da Etiópia e o planalto dos Grandes Lagos, situados no lado oriental do continente, e os montes Adamaouá, que ocupam Camarões e se estendem até a Guiné, no lado ocidental. Além dos planaltos, o relevo africano apresenta extensas áreas de depressões, onde se instalam os desertos continentais.
Apesar de os grandes planaltos dominarem a África, há algumas cadeias de montanhas no continente. Entre elas, duas merecem destaque:
• Cadeia do Atlas. Localizada no noroeste africano, é formada por dobramentos ocorridos um pouco antes dos que deram origem às montanhas jovens da Europa e da Ásia. As elevações chegam a 4 000 metros de altura, e o ponto culminante é o monte Toubkal, com 4 166 metros.
• Cadeia do Drakensberg. Situada no extremo sul, é formada por dobramentos antigos que datam da era Paleozóica. As montanhas alcançam cerca de 3 000 metros, e o ponto mais elevado é o monte Thabana Ntlenyana, com 3 650 metros.
Lagos e vulcões
Quando ocorreram os grandes dobramentos responsáveis pelas atuais cadeias de montanhas jovens do mundo, os maciços de rochas antigas da África foram muito atingidos, pois sofreram grandes pressões. Devido a essas pressões, as rochas da parte leste do continente foram fraturadas; alguns blocos se elevaram e outros afundaram. Os blocos elevados deram origem a altas montanhas e planaltos. Os que afundaram fizeram surgir grandes fossas tectônicas. Sobre essas fossas, o acúmulo de água acabou formando grandes lagos, como o Vitória, o Tanganica e o Niassa.
Ao mesmo tempo, as fraturas ocorridas na crosta terrestre fizeram o magma subir, dando origem a muitos vulcões, como o Quilimanjaro, o Quênia e o Margherita, todos com mais de 5 000 metros de altitude.
Paralelamente a essas formações existe na África um extenso e alongado vale de afundamento - Grand Rift Valley - formado por fraturas (falhas) ocorridas na crosta terrestre.
Hidrografia
Levando-se em conta a grande extensão territorial da África, a hidrografia é formada por poucos rios e lagos. Entre os rios africanos, o mais importante é o rio Nilo, segundo maior do mundo em extensão. Ele nasce no lago Vitória e corre para o norte, desaguando no mar Mediterrâneo. Conhecido como o "pai de todos os rios", o Nilo garante a sobrevivência de um décimo da população africana. O Egito e o Sudão, por exemplo, dependem quase inteiramente desse rio.
Em volume de água, o rio Congo é o segundo maior do mundo, superado apenas pelo rio Amazonas. Com
4 200 quilômetros de extensão, o Congo atravessa duas vezes a linha do equador antes de desembocar no oceano Atlântico, a oeste do continente.
O Níger, o terceiro rio africano em extensão, tem 4 160 quilômetros e deságua no golfo da Guiné, na costa atlântica do continente.
Na parte sul do continente africano destacam-se três rios: o Zambeze e o Limpopo, que desembocam no oceano Índico, e o Orange, que deságua no oceano Atlântico.
A hidrografia africana inclui também numerosos lagos de grande superfície, como o Vitória, situado entre Uganda, Tanzânia e Quênia, com 68 100 quilômetros quadrados; o Tanganica, entre a República Democrática do Congo (ex-Zaire), Burundi e Tanzânia, com 32 893 quilômetros quadrados; e o Niassa, que fica entre o Zimbábue, Malauí e Moçambique, e tem 30 893 quilômetros quadrados.
Ruanda e Burundi - um ciclo de violências
A raiz dos conflitos que arruinaram parte da África centro-oriental desde 1993 está na oposição entre duas etnias presentes nos territórios de Ruanda, Burundi e na atual República Democrática do Congo.
Antes da eclosão da guerra, os hutus representavam 85% da população tanto de Ruanda quanto de Burundi, e os tutsis, 14%, sendo o restante formado por grupos de pigmeus.
Os enfrentamentos étnicos na região são uma herança da época colonial, iniciada com a divisão da África central entre as nações européias.
Ruanda e Burundi faziam parte do território que foi entregue à Alemanha, mas a Bélgica recebeu essas terras em 1919 depois da derrota alemã na Primeira Guerra Mundial. A Bélgica deu aos tutsis, apesar de serem minoria, a posição de elite local. Isso porque essa etnia, de estatura mais elevada, parecia aos belgas ser "menos africana". Daí a conclusão de que os ancestrais dos tutsis eram caucasianos, isto é, brancos. Os europeus criaram o mito de que os tutsis são uma raça superior que migrou da Etiópia, Sudão e Egito. Por isso, os "eleitos" passaram a ocupar os cargos públicos, detendo poderes políticos, econômicos e militares. Em contrapartida, os hutus, submetidos à autoridade tutsi, ficaram com o trabalho na agricultura.
Sem dúvida, as alegações de superioridade racial serviram aos propósitos da metrópole: para enfraquecer a etnia numericamente maior, a hutu, os belgas desenvolveram uma política de favorecimento dos tutsis.
Depois da independência, conquistada em 1962, a maioria hutu ascendeu ao poder e, como resultado, milhares de tutsis tornaram-se refugiados nos países vizinhos.
O massacre em Ruanda
O ciclo de violência teve início quando o presidente de Ruanda, da etnia hutu, foi assassinado em 1994. Os hutus começaram uma matança sistemática dos tutsis e dos chamados hutus moderados, ou seja, daqueles favoráveis a uma convivência pacífica das etnias. Mais de meio milhão de pessoas foram mortas.
No entanto, em meados desse mesmo ano, os tutsis retomaram o poder apesar da superioridade numérica dos hutus. Eles receberam ajuda política e militar dos tutsis de Uganda - lá denominados himas.
Desde então, começou o flagelo dos refugiados hutus. Atualmente, mais de 2 milhões de hutus vivem precariamente em campos de refugiados instalados no leste da República Democrática do Congo (ex-Zaire), enfrentando fome e epidemias de toda sorte, como a cólera. Os hutus procuram ajuda ainda no Burundi, na Tanzânia e em Uganda. Como conseqüência do conflito civil, toda a área geográfica envolvida está instável. Ao todo, 1,5 milhão e meio de pessoas já morreram.
Cabe esclarecer que tanto hutus quanto tutsis têm divisões internas, havendo facções mais favoráveis ao Ocidente e outras menos.
Burundi: cresce o conflito
Mesmo antes da grave crise em Ruanda, hutus e tutsis combatiam-se em uma violenta guerra civil no Burundi.
Nesse país, onde a distribuição étnica se assemelha à de Ruanda, os tutsis, cansados de serem governados pelos hutus, deflagaram um golpe de Estado em 1993, quando o primeiro-ministro hutu eleito foi assassinado.
A população do país reagiu frontalmente ao golpe, iniciando uma série de conflitos com o Exército comandado pelos tutsis. Em vez de o Exército e os rebeldes enfrentarem-se diretamente, os dois lados preferiram assassinar a população civil.
Como resposta à crise em Ruanda, o conflito étnico intensificou-se no Burundi. O Exército tentou expulsar do país milhares de refugiados hutus de volta para Ruanda. Sua justificativa era de que os ruandeses hutus estavam apoiando os guerrilheiros hutus burundineses que combatiam o Exército do país.
Em meados de 1996, outro presidente hutu do Burundi foi deposto do cargo, tendo assumido um líder tutsi. Ele anunciou a instauração de um governo de "transição", dizendo-se disposto a reinstaurar a democracia no país.
Enquanto a promessa não se efetiva, os hutus reforçaram sua campanha guerrilheira no país, mas milhares já deixaram Burundi. Os hutus ruandeses e burundineses passaram a se concentrar principalmente na República Democrática do Congo.
A desestruturação econômica
Os dois países assolados pela guerra civil estão completamente desestruturados, principalmente em relação à tradicional economia agrícola.
Em Ruanda, aproximadamente 90% da população trabalha nas atividades agrícolas, responsáveis por mais de 46% do PIB. São cultivados produtos de subsistência e produtos de exportação, como café, açúcar e algodão. No entanto, desde a eclosão da guerra civil em 1994, o país atravessa séria crise econômica, dependendo de ajuda humanitária internacional.
No Burundi, a ajuda externa também tem sido vital, em virtude da queda da produção agrícola, que ocupava antes da guerra mais de 50% da PEA, sendo responsável por 54 % do PIB.